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Fonte: UOL 20.08.2026

A expansão global da energia solar pode trazer custos ocultos para a biodiversidade, segundo um estudo sobre a China publicado nesta quinta-feira (20) na revista Science.

De acordo com a pesquisa, que abrangeu mais de 2.300 condados chineses, políticas favoráveis à energia solar levaram à redução da diversidade de aves, à medida que áreas de cultivo e pastagens foram rapidamente desmatadas para dar lugar a empreendimentos.

Os autores classificaram o caso como um exemplo de "dilema verde", que coloca a redução das emissões de carbono em conflito com a conservação.
"A principal mensagem não é desacelerar a transição para as energias renováveis, mas tornar o desenvolvimento da energia solar mais consciente do ponto de vista ecológico", disse à AFP o primeiro autor do estudo, Huiming Zhang, da Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing.

A meta da China de alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060 levou o país a embarcar em uma revolução das energias renováveis.

Em 2024, a área ocupada por instalações solares chegou a cerca de 4.520 km² - equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo - e projeta-se que a energia solar represente 45% da matriz energética chinesa até 2060.

A escolha das áreas para instalações solares na China não se baseia em locais ensolarados e na disponibilidade de terras, mas nos "Planos Quinquenais" do governo para promover o desenvolvimento econômico em determinadas regiões.

Zhang e seus colegas exploraram essas diferenças nas políticas de expansão da energia solar em 2.344 condados da China entre 2014 e 2023, levando também em conta tendências nacionais, condições meteorológicas e socioeconômicas, cobertura do solo e o esforço de observação de aves.

Os resultados revelaram uma relação negativa, com uma maior rigidez das políticas consistentemente associada a uma redução da biodiversidade de aves, embora o efeito tenha sido moderado.

Os efeitos foram mais fortes nas regiões mais ricas e nas áreas não desérticas.

Tanto as aves residentes quanto as migratórias sofreram quedas significativas, mas as espécies nativas de habitats montanhosos, pouco adequados para instalações solares, não foram afetadas.
A expansão das fazendas solares na China foi acompanhada por esforços de reflorestamento e arborização para atender às exigências ambientais, mas os autores identificaram o que chamaram de "esverdeamento inferior", quando a quantidade total de vegetação pode até aumentar, mas, por ser excessivamente homogênea, a qualidade ecológica diminui.

Em um comentário relacionado, Yuanning Liang, da Universidade de Pequim, afirmou que "as aves são um grupo indicador eficaz para a avaliação da biodiversidade em larga escala", porque estão entre os poucos grupos de animais para os quais há dados de abundância disponíveis ao longo do tempo e do espaço.

Embora os autores tenham estudado a energia solar, os problemas identificados se aplicam igualmente a outras formas de energia renovável, como a expansão de parques eólicos, acrescentou ela.

"O próximo passo é passar da medição da biodiversidade para sua valoração, relacionando as mudanças na diversidade de aves aos serviços ecossistêmicos e aos valores de conservação", disse Liang.

"Sem essa valoração, a análise de políticas atribui peso insuficiente à conservação, e a análise de custo-benefício pode subestimar o custo social do desenvolvimento."

A equipe de pesquisadores apresentou uma série de recomendações, incluindo direcionar grandes projetos solares para locais com menor conflito ecológico, realizar avaliações mais aprofundadas de cada área e limitar a conversão de terras em regiões produtivas e ricas em habitats.
"O desenvolvimento de energia limpa e a conservação da biodiversidade não precisam ocorrer às custas um do outro, mas a escolha cuidadosa dos locais e as salvaguardas para a biodiversidade são essenciais", afirmou Zhang.

Esta notícia não é de autoria da Novus Energia, sendo assim, os créditos e responsabilidades sobre o seu conteúdo são do veículo original, exceto no caso de notícias que tenham necessidade de transcrição ou tradução, visto que se trata de uma versão resumida pela Novus Energia. Para acessar a notícia em seu veículo original, clique aqui.

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