Fonte: G1 28.03.2026
A superoferta de energia solar tem provocado uma sobrecarga no sistema elétrico brasileiro. Algumas usinas são desligadas todos os dias para evitar apagões.
A energia solar produzida nos telhados de casas, comércios, propriedades rurais e indústrias atingiu 44 mil megawatts de capacidade instalada. A chamada geração distribuída é a segunda maior do Brasil e segue crescendo entre as energias renováveis. Só fica atrás da capacidade das hidrelétricas.
A produção da solar ocorre principalmente das 10 horas da manhã às quatro da tarde. E, durante o dia, há uma superoferta de energia, muito maior do que a demanda.
E esse crescimento das energias renováveis está forçando o Operador Nacional do Sistema Elétrico a fazer ajustes. O ONS tem pedido diariamente a algumas usinas de energia solar e eólica para segurar a produção para evitar instabilidade no sistema.
No ano passado, as usinas eólicas e solares deixaram de gerar mais de 20% da energia que poderiam produzir para atender as solicitações do ONS e por falta de infraestrutura.
Com essa perda, as usinas de energia renovável pediram uma compensação ao governo. No fim do ano passado, o Ministério de Minas e Energia abriu uma consulta pública para tratar do assunto.
O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar diz que faltam linhas de transmissão pra escoar toda a energia produzida.
"As principais soluções que nós temos são: primeiro, melhorar e tornar mais robusta a infraestrutura elétrica, linhas de transmissão, linhas de distribuição, subestações, pra que a gte consiga usar mais a energia limpa e renovável que é produzida no Brasil e hoje é desperdiçada", diz Rodrigo Sauaia.
"Segundo, nós precisamos fomentar o uso de mais energia elétrica pela sociedade. Veículos elétricos, indústrias eletrificadas, a venda de energia elétrica pra países vizinhos.”
O Ministério de Minas e Energia afirma que desde 2023 investiu cerca de R$ 70 bilhões em novas linhas de transmissão e melhoria dos sistemas, e que vai atuar para diminuir os cortes de geração de energia renovável.
O presidente da Associação de Grandes Consumidores de Energia, Paulo Pedrosa, diz que o governo tem de estimular de forma mais eficiente o uso de energias renováveis no Brasil:
"A maneira com que as regras do país se consolidaram, estimula uma quantidade muito grande de painéis solares. Esses painéis espalhados pelo país não são controlados pelo sistema, e quando tem muito sol, eles chegam a ameaçar o país com apagões. Então, uma energia que se propõe como barata e limpa, ela na verdade está encarecendo e sujando a energia do país."
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