Fonte: Rádio Itatiaia 19.11.2025
A adoção de painéis solares pelas indústrias mineiras tem avançado de forma consistente nos últimos anos. Segundo o engenheiro eletricista e analista de tecnologia do Senai-MG, Marcos Paulo Alves, Minas Gerais vem se destacando ao longo dos últimos anos pela forte adoção de energia limpa proveniente de usinas fotovoltaicas (painéis solares).
Em conversa com a Itatiaia, ele explica que esse crescimento é impulsionado pela expansão da geração distribuída, pelas políticas corporativas de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança), pela necessidade de redução de custos energéticos e pela facilitação da entrada de consumidores no Ambiente de Contratação Livre (ACL).
“Indústrias de micro e pequeno porte tendem a implantar, em suas próprias instalações, usinas fotovoltaicas de micro e minigeração, realizando autoconsumo e, em situações de geração excedente, compensação de créditos em outras unidades pertencentes ao mesmo CNPJ”, conta.
Outra prática que tem ganhado espaço é o chamado “desconto de energia”. Marcos destaca que essa dinâmica consiste em contratar energia solar de empresas de geração distribuída em modalidade de geração compartilhada (energia por assinatura), nas quais o desconto é repassado ao consumidor por meio do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE).
Já empresas de médio e grande porte, segundo ele, tendem a optar pela geração distribuída remota, nas chamadas Fazendas Solares. O especialista também aponta o impacto do projeto Sol de Minas, criado em 2019 e vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE-MG).
“O programa busca facilitar à indústria a redução estrutural dos custos de energia por meio da diminuição de prazos ambientais, articulação com prefeituras e concessionárias e promoção de segurança jurídica”, diz o especialista.
De acordo com Marcos, os resultados já aparecem: o estado lidera a expansão da matriz solar no país, com 11,57 GW de capacidade fiscalizada, e foi o primeiro a atingir 4 GW de geração centralizada solar em operação, segundo dados da SEDE-MG.
O BEN 2024 (Balanço Energético Nacional) também coloca Minas como líder nacional em micro e minigeração distribuída, enquanto o Relatório de Sustentabilidade do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), de 2024, informou que foram financiados R$ 130,9 milhões em projetos envolvendo geração solar no estado.
Benefícios variam conforme o porte das empresas
Os benefícios econômicos e ambientais observados pela indústria dependem do porte do empreendimento. De acordo com Marcos, indústrias de micro e pequeno porte geralmente buscam essa solução para reduzir custos energéticos, diminuindo a volatilidade tarifária e aumentando a previsibilidade de despesas. Ele destaca que, nesses casos, “muitas optam por investimento via CAPEX, com payback médio entre 5 e 7 anos”.
Já para indústrias maiores, a adoção da energia solar é analisada de forma mais estratégica. Entre os principais benefícios observados, o engenheiro cita a possibilidade de inserção em mercados internacionais que exigem ações concretas de descarbonização, o alinhamento a políticas ESG e o fortalecimento de estratégias institucionais e de marketing.
Do ponto de vista ambiental, ele ressalta que a energia fotovoltaica “contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, diminui a dependência da matriz elétrica convencional e reduz pressões sobre a infraestrutura do sistema elétrico em horários críticos”.
Setores e condições que maximizam os ganhos
Segundo Marcos, praticamente todos os segmentos industriais podem se beneficiar da tecnologia, mas alguns têm vantagens mais evidentes.
“Indústrias com elevado consumo energético tendem a apresentar maior retorno econômico quando adotam geração fotovoltaica”, explica citando setores como fundição, borracha, poliuretano, frigoríficos, alimentos e bebidas.
O especialista também observa que o horário de consumo é determinante. De acordo com ele, indústrias cujo maior consumo ocorre entre 8h e 16h conseguem aproveitar melhor a energia gerada no próprio parque fabril, especialmente após as alterações da Lei nº 14.300/2022, que impactaram a compensação de créditos.
A localização da usina também é um fator-chave. Marcos desfaz um mito comum ao afirmar que os módulos fotovoltaicos apresentam desempenho ideal entre 15 ºC e 25 ºC; temperaturas elevadas reduzem a eficiência elétrica.
Desafios que ainda limitam a expansão
Mesmo com o avanço expressivo, a expansão da energia solar na indústria mineira encontra obstáculos. Entre eles, o analista do Senai destaca:
Limitações da rede elétrica, que em algumas regiões opera próxima ao limite, dificultando novas conexões;
Custo elevado de sistemas de armazenamento em grande escala (BESS), que poderiam aliviar restrições da rede;
Dependência de equipamentos importados, que tornam projetos vulneráveis à variação cambial e elevam CAPEX e payback;
Escassez de mão de obra especializada, especialmente para usinas de médio e grande porte;
Percepção de insegurança regulatória, mesmo com o Marco Legal da Micro e Minigeração;
Burocracias no licenciamento ambiental, que podem afetar prazos e a segurança jurídica do investido.
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