Fonte: Canal Solar 27.10.2025
Curtailment, permanência de termelétricas em operação e atraso em soluções de armazenamento revelam desafios do país
No dia 4 de junho deste ano, durante a inauguração oficial da usina solar de Arinos (MG) — um dos maiores projetos de energia renovável do país —, o vice-presidente da República e ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Geraldo Alckmin, afirmou que “o Brasil será um grande celeiro de energia solar”.
Mais de quatro meses depois, o cenário apresenta desafios para o setor. Entre 5 de junho e 22 de outubro, quase 8 GWmed de energia solar centralizada deixaram de ser adicionados ao sistema elétrico nacional, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). No acumulado do ano, o volume cortado ultrapassa 12,5 GWmed.
Tais cortes na geração renovável — prática conhecida como curtailment — vêm sendo justificados (por entidades como o próprio ONS) por questões operacionais e de segurança do sistema. Mesmo assim, usinas termelétricas — mais caras e poluentes — seguem sendo acionadas para atender à demanda.
No começo deste mês, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) emitiu um comunicado informando que o Brasil precisará de despacho “mais intenso” de usinas termelétricas até dezembro para atender os horários de “ponta”, quando a carga de energia está no pico.
Um mês antes, em setembro, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) foi além: alertou que o Brasil dependerá ainda mais do uso de termelétricas até fevereiro de 2026.
Como resultado, as bandeiras tarifárias vermelha (patamares I e II) permanecem acionadas há cinco meses para custear o acionamento destas usinas, impactando o custo da conta de luz dos consumidores brasileiros.
Enquanto isso, o leilão de baterias, apontado como uma das principais alternativas para ampliar a flexibilidade do sistema e reduzir o curtailment e risco de apagões, ainda não foi realizado.
Debate sobre GD e atuação da ANEEL
Nos últimos dias, o tema também chegou à GD (geração distribuída). O diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, validou o entendimento do ONS que autoriza as distribuidoras a cortar não apenas carga, mas também a geração de sistemas de GD em situações de risco.
A decisão gerou forte reação de entidades do setor, como a ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), que apontaram insegurança jurídica e ausência de respaldo normativo para esse tipo de medida.
Na Câmara dos Deputados, parlamentares aprovaram um requerimento convocando o diretor-geral da Agência para prestar esclarecimentos sobre o caso.
A decisão de Sandoval também foi questionada por diretores da própria ANEEL, como Agnes Costa, que defendeu uma análise mais cautelosa e aprofundada dos aspectos jurídicos antes de qualquer decisão definitiva sobre o tema.
Entre metas e contradições
Com a COP30 (30ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas) marcada para novembro de 2025, em Belém (PA), o Brasil busca consolidar sua imagem de líder em energia limpa.
No entanto, o aumento crescente de curtailment, a permanência de usinas térmicas em operação e o atraso na adoção de soluções de armazenamento revelam os desafios que o país ainda enfrenta para alinhar o discurso à prática na transição energética.
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